segunda-feira, 6 de agosto de 2007

ontem

Antes sentia falta de sentir falta.
Adormecia sem sono algum, pela simples carência física.
Observava tudo meramente por reflexos visuais.
A lua sempre tivera o seu brilho
E as estrelas sempre cintilaram graciosamente.
Tudo sempre existiu,como hoje existe.
mas o mesmo "tudo" que sempre existiu
Hoje existe diferente, existe mais!Existe simplesmente...existindo

domingo, 10 de junho de 2007

Quimera

Desalento meu! Não, agora não é só tua voz, mas teu nome. A percorrer todos os espaços do meu "eu".
Ora como um sussurro, ora como uma súplica.Às vezes como uma bela canção( a mais triste de todas as canções).
Então, à partir de uma palavra, um som, personifica-tes no meu ser
Tua beleza embriagante se materializa como um prisma, por onde fito-te em um momento imóvel, estático, porém efêmero.
E quando caio em mim, ja te fostes e a porta jaz entre aberta...



Wagner Costa

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Ausência

Por que? Por que não posso ter-te ao meu colo?
Passar a mão entre teus cabelos?
E sentir a tua respiração como uma doce e serena melodia?
Quisera eu com desvê-lo zelar pelo teu sono,
Mirar tua rubra face, cor de romã e atentar para cada detalhe de tua nostálgica beleza.
Mas não! Isso a mim não é permitido!A mim só cabe ter-te em minha memória
Tu e tuas reminiscências. E na tua ausência sentir-te ao meu lado, quase tocando-te...




Wagner Costa

quinta-feira, 24 de maio de 2007

eva

Eva
Angélica
Meu anjo, meu jambo, jujuba
Me joga, me afoga e me juga
que mesmo na folga não tenho fuga
Me inspira como teu perfume respiro
E eu vou contigo pro retiro
Eu rezo, eu te clamo, eu te tiro
e me atiro em seus braços na chuva
Minha eva
Minha uva
minha vulva

domingo, 4 de março de 2007

Luas vermelhas

Mocinha torce-se pra descer
Depois pra parar de doer
Reza-se logo pra vir
Antes que nasça outro ser

Corre assim teu sacrifício
As pétalas de uma rosa
Dor beleza e ofício
Numa flor vermelha e viçosa

Um assassinato a cada mês
Teu fardo de mulher ser
E se te salvas de matar e então a semente ter

Da maçã que comeste uma vez
Perpetua-se por mais de mês
Teu desejo, tua dor e teu prazer

André Dantas

O rosa no céu

O sol riscava no céu um traço Rosa no horizonte naquele momento. Um Rosa radiante e reluzente contra um azul que tomava conta de tudo. Palavras eram lidas nesse momento em jornais, livros e cadernos.
Algum mestrando lia desesperado de atenção o livro-indicação de um doutor, que lia o de um pós doutor e assim por diante, na escala que um dia chegava em Deus, e não havia mais desafios. Aquele conhecimento não servia para nada, enche-se a cabeça do que serve para construir um mundo ideal na cabeça, e assistir filmes da realidade sentado na poltrona divina.
E quem não lia via televisão. A guerra, a fome, a vida, tudo tem que continuar, o show não pode parar, a pena, o choro, a dor não causa mais comoção, é só um programa de televisão.
Aquele momento estático no tempo nada mudava, nada dava tento. Alguns gatos pingados faziam o vento, que rodava, sem furacão ou tormento. Lá em cima uma ditadura de esquerda se erguia, mais em cima uma de direita vigorava. Lá em baixo o Rosa desaparecia, sem destino, sem utopia, sem ação, sem palavra.

André Dantas
Epitáfio em lugar nenhum

Da ressaca ao recesso
E ali se enterra mais um vaso sem terra
Mais um caso sem cova
Mais um eterno que se encerra
Sem terno nem vela
Sem honra nem forra

André Dantas